“Quando a Mente Foge Para Sobreviver”
Por Frederico Abrahão — fundador da PsicoSistemoLogia e portador do TDAH
Você já sentiu como se estivesse em todos os lugares, menos dentro de si?
Como se o mundo ao seu redor continuasse girando, mas algo em você tivesse ido embora antes mesmo da vida começar?
Essa é, muitas vezes, a experiência silenciosa de quem vive com TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Mas, segundo a PsicoSistemoLogia, essa condição não é apenas um transtorno neurobiológico — é uma expressão profunda de uma ruptura simbólica de presença.
O que é a Ruptura Primária de Presença?
Na PsicoSistemoLogia, chamamos de Ruptura Primária de Presença o momento em que a alma, ainda criança, percebe que não é seguro permanecer. O corpo pode continuar ali, mas a mente aprende a fugir — como forma de sobrevivência.
Portadores de TDAH muitas vezes não têm “déficit de atenção”. O que eles têm é uma atenção treinada para o alerta, para a fuga, para o salto entre estímulos — como se algo dentro deles ainda estivesse tentando escapar de um campo que os feriu.
TDAH não é falha. É linguagem.
Durante anos, ouvi que era inquieto, intenso, desatento. Ouvi que precisava “me organizar”, “me controlar”, “me encaixar”. Mas ninguém parou para me perguntar: o que aconteceu comigo?
Aos 35 anos, ao receber o diagnóstico, algo dentro de mim se partiu. E nessa fratura, encontrei também o começo de uma jornada de restauração simbólica. Não para corrigir quem eu era — mas para escutar o que meu corpo estava tentando dizer há tanto tempo.
O convite da PsicoSistemoLogia
Como criador da PsicoSistemoLogia, compreendo hoje que o TDAH não é apenas um desafio clínico. Ele é um convite epistemológico — uma convocação para revisitarmos as memórias, traumas e ausências que moldaram nossa forma de existir no mundo.
A mente que foge não está errada. Ela só está tentando nos proteger de um tempo em que ser nós mesmos custava caro demais.
O gesto restaurativo começa aqui
Esse episódio é o primeiro de uma série dedicada à restauração da presença em portadores de TDAH.
É um gesto simbólico para você que sente que sua mente está sempre em guerra consigo mesma.
É um chamado para os que convivem com portadores e buscam compreender o que não é dito em palavras.
E, acima de tudo, é um gesto para a criança em cada um de nós — que ainda espera ser ouvida, não com correções, mas com amor.
Na PsicoSistemoLogia, chamamos isso de escuta do gesto esquecido.